quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Minha velha infância




Tenho saudade da criança que fui, na verdade ela ainda existe dentro de mim, porém a pequenez a inocência e as outras coisas típicas desse tempo se foram...

Quando garota tinha pressa de crescer, era mais por questão de sobrevivência, meu irmão mais novo é 10 anos mais velho que eu, então crescer em meio a adultos me fez ser um deles mesmo quando ainda pequena. Sei que deveria ter aproveitado beeem mais minha infância, mas isso não quer dizer que há meu modo eu não curti o que me foi dado. Curti sim e tenho uma saudade danada dessa época.

Dá época em que uma vassoura era meu brinquedo favorito – hoje nem preciso dizer que quero distancia dela, rsrs... –, de quando dei o nome de Jenifer a minha primeira boneca, de quando aprendi andar de bicicleta sendo que esta não tinha rodinhas e eu tinha que contar com o apoio dos adultos para me equilibrar, das vezes que ia pro interior brincar com meus primos, nós andávamos pelo enorme quintal subíamos nas arvores tirávamos água do poço comíamos frutos direto do pé, conversamos por horas a fio sem ter pressa de o tempo passar.



De quando brincava de amarelinha, de esconde-esconde, de pegador, maná-mula, queimado, de quando furava latas de leite e passava uma corda por dentro e fazia delas uma espécie de “perna de pau” onde me equilibrava e saia perambulando pela casa. De quando brincava de casinha e fazia da raspa de giz o leite, água e areia o café, folhas viravam carne e assim eu me imaginava já adulta na minha casa cozinhando pra meus filhos.

De quando mamãe fazia bolo e eu adorava lamber a bacia. De quando por ser menor o maior pedaço era meu, de quando meus irmãos me defendiam – mas também me batiam e nessas horas eu sonhava ser grande para revidar -. De quando ainda não tinha tantas obrigações a não ser brinca e estudar.

Quando ainda não precisava trabalhar, pagar contas, fazer faculdade. Quando era uma garota que de tão inocente eu podia chamá-la hoje de “besta”. De quando sonhava tanto e desejava ardentemente vê cada um deles realizado, de quando meus desenhos preferidos eram basicamente desenho de meninos - afinal eu assistia o que meus irmãos assistiam-. De quando minha mãe me banhava no taque de casa – nossa quanta saudade desses momentos! -.




De quando ia no parque e desejava esperançosamente ganhar uma daquelas bolas enormes e coloridas, de quando ia no bate-bate e me imaginava pilotando meu próprio carro, de quando tomar sorvete, comer pipoca, algodão doce era as melhores coisas do mundo, ou quando corria atrás de alguma garrafa pra trocar por “quebra-queixo”.

Saudades, das imaginações, dos desejos, do tempo que era bom mais que realmente eu não sabia... Achava que o melhor era o que estava por vim... Claro que há muita coisa da qual não sinto saudade, mais também há muitas que eu ainda manteria se possível até agora.

Hoje comemoramos mais um Dia das Crianças e para muitas é sinal de ganhar presentes, pra mim não era assim, eu já sabia que eles não vinham, minha mãe nos poupou de qualquer coisa que nos fizesse ser o que não éramos de crescer achando que o que importa são coisas “supérfluas”... Claro que quando criança eu não pensava assim, ficava chateada, era normal.

Mais ironicamente isso é uma das coisas que quero lembrar quando for educar meus filhos, claro que eles terão seus brinquedos e eu faço questão de brincar com eles, mas também quero que saibam que o mundo não é só isso, ou que o dia das crianças se resume a um presente. Quero que ao contrário de mim eles aproveitem muito essa época. Curtam cada minuto. Que brinquem com seus brinquedos eletrônicos, mas também não esqueçam do contato com o outro, que eles também possam criar seus próprios brinquedos, suas próprias brincadeiras... Que não tenha preocupações, nem pressa de crescer, que desfrutem de sua inocência, sua dependência, sua pequenez ... E principalmente do seu coração puro, sua sinceridade seu amor incondicional e que saibam que no Dia das Crianças essa é a verdadeira razão de se comemorar.




Menina dos olhos de Deus

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