Tenho
saudade da criança que fui, na verdade ela ainda existe dentro de mim, porém a
pequenez a inocência e as outras coisas típicas desse tempo se foram...
Quando
garota tinha pressa de crescer, era mais por questão de sobrevivência, meu
irmão mais novo é 10 anos mais velho que eu, então crescer em meio a adultos me
fez ser um deles mesmo quando ainda pequena. Sei que deveria ter aproveitado
beeem mais minha infância, mas isso não quer dizer que há meu modo eu não curti
o que me foi dado. Curti sim e tenho uma saudade danada dessa época.
Dá
época em que uma vassoura era meu brinquedo favorito – hoje nem preciso dizer
que quero distancia dela, rsrs... –, de quando dei o nome de Jenifer a minha
primeira boneca, de quando aprendi andar de bicicleta sendo que esta não tinha
rodinhas e eu tinha que contar com o apoio dos adultos para me equilibrar, das
vezes que ia pro interior brincar com meus primos, nós andávamos pelo enorme
quintal subíamos nas arvores tirávamos água do poço comíamos frutos direto do
pé, conversamos por horas a fio sem ter pressa de o tempo passar.
De
quando brincava de amarelinha, de esconde-esconde, de pegador, maná-mula,
queimado, de quando furava latas de leite e passava uma corda por dentro e
fazia delas uma espécie de “perna de pau” onde me equilibrava e saia
perambulando pela casa. De quando brincava de casinha e fazia da raspa de giz o
leite, água e areia o café, folhas viravam carne e assim eu me imaginava já
adulta na minha casa cozinhando pra meus filhos.
De quando
mamãe fazia bolo e eu adorava lamber a bacia. De quando por ser menor o maior
pedaço era meu, de quando meus irmãos me defendiam – mas também me batiam e
nessas horas eu sonhava ser grande para revidar -. De quando ainda não tinha
tantas obrigações a não ser brinca e estudar.
Quando
ainda não precisava trabalhar, pagar contas, fazer faculdade. Quando era uma
garota que de tão inocente eu podia chamá-la hoje de “besta”. De quando sonhava
tanto e desejava ardentemente vê cada um deles realizado, de quando meus
desenhos preferidos eram basicamente desenho de meninos - afinal eu assistia o
que meus irmãos assistiam-. De quando minha mãe me banhava no taque de casa –
nossa quanta saudade desses momentos! -.
De
quando ia no parque e desejava esperançosamente ganhar uma daquelas bolas enormes e
coloridas, de quando ia no bate-bate e me imaginava pilotando meu próprio
carro, de quando tomar sorvete, comer pipoca, algodão doce era as melhores
coisas do mundo, ou quando corria atrás de alguma garrafa pra trocar por “quebra-queixo”.
Saudades,
das imaginações, dos desejos, do tempo que era bom mais que realmente eu não
sabia... Achava que o melhor era o que estava por vim... Claro que há muita
coisa da qual não sinto saudade, mais também há muitas que eu ainda manteria se
possível até agora.
Hoje
comemoramos mais um Dia das Crianças e para muitas é sinal de ganhar presentes,
pra mim não era assim, eu já sabia que eles não vinham, minha mãe nos poupou de
qualquer coisa que nos fizesse ser o que não éramos de crescer achando que o
que importa são coisas “supérfluas”... Claro que quando criança eu não pensava
assim, ficava chateada, era normal.
Mais
ironicamente isso é uma das coisas que quero lembrar quando for educar meus
filhos, claro que eles terão seus brinquedos e eu faço questão de brincar com
eles, mas também quero que saibam que o mundo não é só isso, ou que o dia das
crianças se resume a um presente. Quero que ao contrário de mim eles aproveitem
muito essa época. Curtam cada minuto. Que brinquem com seus brinquedos
eletrônicos, mas também não esqueçam do contato com o outro, que eles também
possam criar seus próprios brinquedos, suas próprias brincadeiras... Que não
tenha preocupações, nem pressa de crescer, que desfrutem de sua inocência, sua
dependência, sua pequenez ... E principalmente do seu coração puro, sua
sinceridade seu amor incondicional e que saibam que no Dia das Crianças essa é
a verdadeira razão de se comemorar.
Menina dos olhos de Deus





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